Dica de Livro: “Como Criar uma Mente”, Ray Kurzweil

como-criar-uma-mente
Pioneiro nos campos de reconhecimento ótico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento de fala e teclados eletrônicos, Ray Kurzweil é um dos mais conhecidos futuristas da atualidade. No livro “Como Criar uma Mente”, o autor aborda pesquisas feitas na área da Neurociência – além de seus próprios estudos e invenções – e descreve, de maneira bastante didática, sua Teoria Mental de Reconhecimento de Padrões (TMRP), sobre o modo de funcionamento do neocórtex.
A teoria de Kurzweil é bastante interessante, pois apresenta o neocórtex não como um sistema intrincado, extremamente complexo e – por conseguinte – impossível de ser replicado, mas como uma estrutura hierárquica de pequenos sistemas interconectados e capazes de reconhecer padrões. O autor ressalta que o reconhecimento de padrões já havia sido observado por cientistas, entre eles, Charles Darwin, que utilizou a técnica para desenvolver sua Teoria da Evolução. Assim, baseado na TMRP, Kurzweil afirma que é possível fazer a engenharia reversa do cérebro humano para a criação de superinteligências artificiais, que – segundo ele – poderão ser criadas ainda neste século.
São abordados, ainda, assuntos relacionados à mente em áreas como a Psicologia, Filosofia, Anatomia e Tecnologia da Informação. Obviamente, tais temas não são esgotados no livro, mas o autor fornece diversas referências para aqueles que desejam se aprofundar. Em resumo, um livro instigante, escrito por um dos mais destacados visionários contemporâneo, sobre a mais fascinante máquina do universo: o cérebro humano.
Anúncios

Dica de Álbum: “Powerslave”, Iron Maiden

Em tempos de músicos de um sucesso só – e de letras e ritmos de gosto mais do que duvidoso -, o Iron Maiden e seus mais de 40 anos de estrada é um ponto fora da curva. Formada em 1975, a lendária banda britânica de heavy-metal possui uma sólida base de fãs, uma das discografia mais vastas e respeitadas da história do rock e arrasta multidões em todos os cantos do mundo. “Powerslave” – o quinto álbum de estúdio da banda e lançado em 1984 – é, desde a faixa inicial, “Aces High” (que se inicia com um trecho de Winston Churchill durante a II Guerra), até “Rime of the Ancient Mariner” (que foi inspirada a partir de um poema homônimo, lançado em 1798 pelo poeta Samuel Taylor Coleridge), é uma amostra do que a Donzela de Ferro é capaz de criar. Na minha humilde opinião, este é o melhor álbum do Maiden. Além de “Aces High” e “Rime of the Ancient Mariner”, destaco também “2 Minutes to Midnight” e “The Duellists”. Simplesmente um dos melhores discos de heavy-metal de todos os tempos!

Dica de Filme: “Ex_Machina: Instinto Artificial”

Lançado em 2014, “Ex_Machina: Instinto Artificial” conta a história de Caleb (Domhnall Gleeson), um programador que vence um concurso interno de uma empresa e recebe a oportunidade de testar uma inteligência artificial criada por Nathan (Oscar Isaac), dono da empresa e um brilhante e recluso bilionário. O sistema criado por Nathan está instalado em Ava (Alicia Vikander), um uma sofisticada e sedutora robô. À medida que os testes progridem, Caleb descobre que essa inteligência artificial é tão sofisticada e imprevisível que ele não sabe mais em quem confiar. O longa-metragem – que foi premiado com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais – explora a inevitável evolução da Inteligência Artificial do ponto de vista dos relacionamentos entre humanos e máquinas. Para os fãs de ficção-científica, uma excelente pedida!

Dica de Livro: “O Coração das Trevas”, Joseph Conrad

Romance escrito por Joseph Conrad e publicado em 1902, “O Coração das Trevas” é uma das obras mais importantes da literatura ocidental. O livro narra a história de Charles Marlow, contratado por uma companhia belga para ser capitão de um barco a vapor que navega por um rio africano. Sendo comandante da embarcação, Marlow tem como objetivo transportar marfim rio abaixo, e – prioritariamente – resgatar Kurtz, famoso comerciante e comandante de um posto de troca. O romance serviu de inspiração para o clássico filme “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola, no qual Kurtz é retratado como um coronel americano refugiado nas selvas do Vietnã. Apesar de curto, o texto de Conrad é bastante rico, misturando ironia, bom humor e críticas à colonização europeia na África. Outro elemento marcante da obra é o modo como o autor se refere aos africanos, colocando-os numa categoria inferior aos brancos e muitas das vezes referindo-se a eles como se fossem objetos. Tal recurso, no entanto, não indica uma nuance racista de Conrad, mas apenas um recurso literário para fazer uma crítica ao colonialismo europeu. Um livro pequeno, que pode ser lido numa tarde.

Painel WW: “O Brasil será governável a partir de janeiro de 2019?”

Com as eleições dominando o debate, o que mais se vê são candidatos a presidente apresentando o combate à corrupção como sua plataforma de governo. Obviamente, o desvio de dinheiro público – em todas as esferas – é uma questão importante na situação atual. Todavia, zelar pelo bom uso dos recursos públicos é uma obrigação de todo governante e não deve ser encarado como uma qualidade excepcional. Em virtude disto, um tópico crucial para o futuro do Brasil está sendo ofuscado: a má gestão de recursos públicos. No vídeo “O Brasil será governável a partir de janeiro de 2019?”, publicado no canal Painel WW, Francisco Gaetani – cientista político e diretor da escola nacional de administração pública -, José Álvaro Moisés – cientista político – e Milton Seligman – professor e ex-ministro da Justiça – discutem o assunto, de uma maneira bastante elucidativa e de um ponto de vista diferente do que é visto na maioria dos veículos de imprensa. O vídeo é um pouco extenso (51:28), mas, em tempos como estes, vale muito a pena ser assistido.

Dica de Filme: “Interestelar”

Lançado em 2014 e dirigido por Christopher Nolan, “Interestelar” conta a história de um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial e permitir a continuação da espécie humana. Vencedor do Oscar na categoria de Melhores Efeitos Visuais, o longa-metragem se destaca pela precisão das teorias científicas apresentadas ao longo do mesmo, que foram supervisionadas pelo renomado físico teórico Kip Thorne.
Além da fotografia e dos efeitos visuais exuberantes, a narrativa é dinâmica e explora – de maneira bem eficiente – o lado humano das personagens. Isto resulta num filme de quase três horas de duração e repleto de referências científicas que não se torna enfadonho. Há excelentes passagens na película, mas, para mim, o ápice é a brilhante cena em que a dimensão temporal é retratada, de maneira genial, na biblioteca da casa de Cooper (Matthew McConaughey).
Um dos melhores filmes de ficção científica que já assisti, que atende também aos fãs de drama. Se não assistiu ainda, faça o quanto antes.

Dica de Livro: “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, Yuval Harari

sapiens

Publicado em 2014, o livro “Sapiens: Uma Breve História da humanidade” foi escrito pelo historiador israelense Yuval Noah Harari. A obra é dividida em quatro seções (a saber: a Revolução Cognitiva, A Revolução Agrícola, A Unificação da Humanidade e A Revolução Científica), nas quais a história da humanidade é recontada, através da escrita elegante e fluida de Harari. O argumento central do livro é demonstrar que a capacidade de abstração foi crucial para que uma espécie tão frágil como a do homo sapiens conseguisse dominar o planeta, mesmo convivendo com animais muito mais fortes fisicamente. Uma leitura agradável e instigante, recomendada para quem procura saber um pouco mais sobre a nossa própria história.

Dica de Álbum: “The Chemical Wedding”, Bruce Dickinson


Bruce Dickinson é um dos meus vocalistas favoritos, não somente pela sua voz ímpar, mas por sua entrega e pela presença de palco nos shows. No seu período de exílio do Iron Maiden, Dickinson lançou alguns excelentes álbuns solo, sendo um deles “The Chemical Wedding”, de 1998. Este disco mistura peso, belas melodias, solos inspirados e o já patente lirismo de das letras de Dickinson. Na minha opinião, o álbum não deixa nada a dever aos melhores discos do Iron Maiden, até porque na banda que o gravou estava outro ex-exilado da Donzela de Ferro, o talentoso guitarrista Adrian Smith. Apesar de considerar que “The Chemical Wedding” deve ser ouvido na integridade, destaco a pesadíssima faixa-título, a épica “Jerusalem” e a bela “Gates of Urizen”. Uma aula de heavy-metal, vinda de um dos nomes mais respeitados do estilo.

Dica de Canal: Where Postrock Dwells

Para quem gosta de rock e quer descobrir novos nomes, o canal “Where Post Rock Dwells” é uma boa alternativa. Abrangendo todos os estilos de rock e om o objetivo de mostrar bandas que ainda não são conhecidas do público em geral, o canal é atualizado com bastante frequência e realmente disponibiliza vídeos com álbuns de excelente qualidade. Já encontrei muitas bandas interessantes no mesmo, mostrando que o rock – apesar da pouca visibilidade na mídia atualmente, em especial no Brasil – não morre tão cedo.

Dica de Filme: “A Luz Entre os Oceanos”

a-luz-entre-os-oceanos

Baseado no livro homônimo, escrito por M. L. Stedman e Geni Hirata, “A Luz Entre os Oceanos” conta a história de Tom Sherbourne (Michael Fassbender) – faroleiro de uma ilha isolada na costa oeste da Austrália na divisa entre os Oceanos Pacífico e Índico – e sua mulher, Isabel Graysmark (Alicia Vikander). Impedidos de ter filhos, a vida do casal sofre uma reviravolta quando encontram um barco à deriva na ilha. Com bela fotografia, excelentes atuações dos dois protagonistas e narrativa fluida, o filme é uma boa opção para quem gosta de dramas bem construídos, e não os já conhecidos “dramalhões”.