Dica de Livro: “Os Filhos de Húrin”, J. R. R. Tolkien

Antes da lendária Era de O Senhor dos Anéis, um poderoso espírito dominado pelo Senhor do Escuro ameaça a vida dos Filhos de Húrin. Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, habita na vasta fortaleza de Angband, ao norte; e à sombra do temor de Angband e da guerra travada por Morgoth contra os elfos, os destinos de Túrin e de sua irmã Niënor serão tragicamente entrelaçados. A vida breve e apaixonada dos dois irmãos é dominada pelo ódio visceral que Morgoth sentia por eles, os filhos de Húrin, o homem que ousara desafiá-lo frente a frente. Contra eles, Morgoth envia seu mais temível servo, Glaurung, um poderoso espírito na forma de um enorme dragão de fogo sem asas, numa tentativa de cumprir sua maldição e destruir os filhos de Húrin.

Publicado postumamente em 2009, é, de longe, o mais sombrio livro de J.R.R. Tolkien. Leitura obrigatória para os fãs do escritor.

Dica de Filme: “Pieces of a Woman”

Produzido pela Netflix e lançado em 2020, “Pieces of a Woman” conta a história de Martha (Vanessa Kirby), uma mulher em luto que embarca numa viagem emocional após a perda do seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com o marido Sean (Shia LaBeouf) e a mãe, lutando para que seu mundo não desabe por completo. |Um drama muito poderoso, que se inicia com uma aflitiva cena de trabalho de parto que dura longos 20 minuto, o longa obteve grande sucesso de crítica. Destaque para a atuação sensacional de Kirby, indicada ao Oscar.

Dica de Álbum: “Just Enough Education To Perform”, Stereophonics

Terceiro álbum de estúdio da banda de rock galesa Stereophonics, Just Enough Education to Perform foi lançado em 2001. O som do trio formado por Kelly Jones (vocal, guitarra), Richard Jones (baixo, harmônica) e Stuart Cable (bateria) é um hard rock de fácil audição e algumas belas melodias. Mas o diferencial dos galeses é a voz de Kelly Jones, rouca em diversas faixas e que casa perfeitamente com o instrumental da banda. Entre as faixas do disco, minhas preferidas são “Maybe”, “Mr. Writer” e “Everyday I Think of Money”. Recomendado para quem gosta do brit-pop do início do século.

Dica de Livro: “Antologia Poética”, Carlos Drummond de Andrade

Publicada em 1962, “Antologia Poética” reúne poemas selecionados pelo próprio Carlos Drummond de Andrade, organizados em nove temas. A obra contém alguns dos textos mais famosos do poeta de Itabira, verdadeiros tesouros da Literatura Universal, como o “Poema de Sete Faces” (Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era Deus, / se sabias que eu era fraco?); ou “Consolo na Praia” ( A injustiça não se resolve. / À sombra do mundo errado / murmuraste um protesto tímido. / Mas virão outros.); ou ainda “Nosso Tempo” (Há soluções, há bálsamos / para cada hora e dor.). Não há como não se impressionar com a habilidade que o mineiro tinha com as palavras. Fantástico!

Dica de Filme: “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”

Produzido pela Amazon e lançado em 2021, o longa-metragem “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” é baseado num conto homônimo escrito pelo americano Lev Grossman. O filme conta a história de dois adolescentes, Mark (Kyle Allen) e Margaret (Kathryn Newton), que ficam presos numa anomalia temporal e revivem o mesmo dia numa repetição infinita. Forçados a rever os mesmos eventos acontecendo da mesma maneira com as demais pessoas da cidade, a dupla resolve fazer um mapa com o que de melhor acontece ao seu entorno ao longo do dia, daí o título da obra.

Antes de prosseguir, um aviso para aqueles que gostam de tramas mais elaboradas e roteiros mais complexos: trata-se de uma comédia romântica para adolescentes, com todos os ingredientes do gênero. Portanto, é um longa fácil de entender, com momentos de humor e drama juvenis, mas que é bem agradável de assistir. No entanto, há uma mensagem interessante que ressoa ao final do filme: a importância de saber identificar e aproveitar os pequenos momentos perfeitos que acontecem conosco todos os dias, não importando nossa idade.

Para quem busca algo leve para assistir, fica a dica!

Dica de Álbum: “The Darkest Place”, Warmth

Com o tsunami de informação e de notícias que se tornou ainda mais intenso com a pandemia, cada vez mais tenho recorrido à música instrumental para “me desligar” do mundo e desacelerar a mente. Uma de minhas audições preferidas tem sido as músicas produzidas pelo Warmth, que é, na verdade, projeto do músico espanhol Agustín Mena. Seu último lançamento, “The Darkest Place”, é um álbum para ser ouvido com fones de ouvido, no conforto de um sofá ou de uma cama. As camadas sonoras criadas pelo artista e os sutis arranjos e repetições que compõem cada faixa realmente são um convite à introspecção e o relaxamento. Destaco “The Infinite”, a faixa-título e “Everything Burns”. O álbum já está disponível no Deezer e pode ser ouvido também no site Bandcamp (www.bandcamp.com). Em dias tão conturbados como estes, o disco é um respiro de tranquilidade.

Dica de Livro: “Os Sertões”, Euclides da Cunha

Em 1897, o jornal O Estado de São Paulo enviou o jornalista e engenheiro Euclides da Cunha ao sertão da Bahia para cobrir a rebelião de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro. A descrição do que presenciou transformou-se num clássico da literatura brasileira, hoje publicado em onze idiomas em dezenas de países. A obra trata da natureza e da estrutura social do mundo sertanejo nordestino, e – por meio de uma linguagem cientificista – recrimina o nacionalismo e ufanismo exacerbado da sociedade brasileira da época, mostrando a face cotidiana e realista do país e das pessoas que o compõem. Uma excelente sugestão para quem gosta da História do Brasil.

Dica de Série: “The Mandalorian”

Depois de uma certa frustração causada pelos novos filmes da franquia Star Wars (com exceção de “Rogue One”, que foi uma ótima surpresa), confesso que comecei a assistir a série “The Mandalorian” com algum receio. No entanto, a série produzida pela Disney me surpreendeu positivamente, oferecendo bons momentos de diversão. Temporalmente, a história se passa após o “O Retorno de Jedi” e acompanha um caçador de recompensas que, por acaso, se vê com uma preciosa “carga” em suas mãos. Com muitos momentos de ação, com roteiros sem grande complexidade e com o carismático “Baby Yoda”, a série é diversão garantida para os fãs da franquia.

Dica de Álbum: “Lullabies In A Car Crash “, Bjørn Riis

Lançado em 2014, ” Lullabies In A Car Crash” foi o primeiro álbum do projeto-solo do guitarrista norueguês Bjørn Riis, um dos fundadores da banda de rock progressivo Airbag. Por se tratar de um trabalho solo, a sonoridade do disco remete às influências de Riis, especialmente os álbuns solo de David Gilmour e No-Man, com letras que falam sobre o medo do abandono, da alienação e da perda. Seis belas faixas compõem o disco, das quais destaco “Disappear”, “Out of Reach” e a faixa-título. É mais uma opção para os fãs de rock progressivo à procura de algo novo.

Dica de Livro: “Vozes Roubadas”, editado por Zlata Filipović, Melanie Challenger

Publicado em 2008, o livro “Vozes Roubadas” – editado por Zlata Filipović, Melanie Challenger – apresenta 14 diários escritos por crianças ou jovens durante conflitos armados. Incluindo anotações que vão da Primeira Guerra Mundial à invasão do Iraque, a obra apresenta – de forma crua e direta – como as guerras alteram o cotidiano das pessoas e dão um fim precoce a inúmeros sonhos. Uma leitura impactante e que revela mais um lado trágico dos conflitos bélicos que afligiram a Humanidade ao longo do século XX.