Dica de Filme: “Sentidos do Amor”

Minha mãe costuma me dizer que existem certas coisas que a gente só se lembra que existem quando elas faltam. Um clássico exemplo é a energia elétrica. Neste filme de 2011, isso é explorado através de uma pandemia que primeiramente faz que com as pessoas percam o sentido do paladar e, depois, da audição. Assistindo ao filme dá para perceber como, na maioria das vezes, por causa da correria – ou mesmo por nossa insensibilidade – deixamos de saborear (literalmente) os pequenos prazeres diários. No filme, a pandemia é pano de fundo para o romance entre o chef de cozinha Michael (Ewan McGregor) e cientista Susan (Eva Green). Um pouco drama, um pouco romance, um pouco ficção científica, “Sentidos do Amor” é um ótimo filme, que nos ajuda a valorizar mais as coisas rotineiras.

 

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Dica de Canal: Dust

Para os fãs de ficção científica, o Dust é um paraíso. Atualizado frequentemente, o canal está repleto de curta-metragens do gênero, todos muito bem produzidos. Os filmes abordam diversas faces da sci-fi, desde distopias tecnológicas, horrores, interações com alienígenas e romances entre homens e máquinas. Para aqueles que gostam de sugestões, cito “Rise”, “Children of Future Sleep” e “The Black Hole”.

Dica de Livro: “Como Criar uma Mente”, Ray Kurzweil

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Pioneiro nos campos de reconhecimento ótico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento de fala e teclados eletrônicos, Ray Kurzweil é um dos mais conhecidos futuristas da atualidade. No livro “Como Criar uma Mente”, o autor aborda pesquisas feitas na área da Neurociência – além de seus próprios estudos e invenções – e descreve, de maneira bastante didática, sua Teoria Mental de Reconhecimento de Padrões (TMRP), sobre o modo de funcionamento do neocórtex.
A teoria de Kurzweil é bastante interessante, pois apresenta o neocórtex não como um sistema intrincado, extremamente complexo e – por conseguinte – impossível de ser replicado, mas como uma estrutura hierárquica de pequenos sistemas interconectados e capazes de reconhecer padrões. O autor ressalta que o reconhecimento de padrões já havia sido observado por cientistas, entre eles, Charles Darwin, que utilizou a técnica para desenvolver sua Teoria da Evolução. Assim, baseado na TMRP, Kurzweil afirma que é possível fazer a engenharia reversa do cérebro humano para a criação de superinteligências artificiais, que – segundo ele – poderão ser criadas ainda neste século.
São abordados, ainda, assuntos relacionados à mente em áreas como a Psicologia, Filosofia, Anatomia e Tecnologia da Informação. Obviamente, tais temas não são esgotados no livro, mas o autor fornece diversas referências para aqueles que desejam se aprofundar. Em resumo, um livro instigante, escrito por um dos mais destacados visionários contemporâneo, sobre a mais fascinante máquina do universo: o cérebro humano.

Dica de Álbum: “Powerslave”, Iron Maiden

Em tempos de músicos de um sucesso só – e de letras e ritmos de gosto mais do que duvidoso -, o Iron Maiden e seus mais de 40 anos de estrada é um ponto fora da curva. Formada em 1975, a lendária banda britânica de heavy-metal possui uma sólida base de fãs, uma das discografia mais vastas e respeitadas da história do rock e arrasta multidões em todos os cantos do mundo. “Powerslave” – o quinto álbum de estúdio da banda e lançado em 1984 – é, desde a faixa inicial, “Aces High” (que se inicia com um trecho de Winston Churchill durante a II Guerra), até “Rime of the Ancient Mariner” (que foi inspirada a partir de um poema homônimo, lançado em 1798 pelo poeta Samuel Taylor Coleridge), é uma amostra do que a Donzela de Ferro é capaz de criar. Na minha humilde opinião, este é o melhor álbum do Maiden. Além de “Aces High” e “Rime of the Ancient Mariner”, destaco também “2 Minutes to Midnight” e “The Duellists”. Simplesmente um dos melhores discos de heavy-metal de todos os tempos!

Dica de Filme: “Ex_Machina: Instinto Artificial”

Lançado em 2014, “Ex_Machina: Instinto Artificial” conta a história de Caleb (Domhnall Gleeson), um programador que vence um concurso interno de uma empresa e recebe a oportunidade de testar uma inteligência artificial criada por Nathan (Oscar Isaac), dono da empresa e um brilhante e recluso bilionário. O sistema criado por Nathan está instalado em Ava (Alicia Vikander), um uma sofisticada e sedutora robô. À medida que os testes progridem, Caleb descobre que essa inteligência artificial é tão sofisticada e imprevisível que ele não sabe mais em quem confiar. O longa-metragem – que foi premiado com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais – explora a inevitável evolução da Inteligência Artificial do ponto de vista dos relacionamentos entre humanos e máquinas. Para os fãs de ficção-científica, uma excelente pedida!

Dica de Livro: “O Coração das Trevas”, Joseph Conrad

Romance escrito por Joseph Conrad e publicado em 1902, “O Coração das Trevas” é uma das obras mais importantes da literatura ocidental. O livro narra a história de Charles Marlow, contratado por uma companhia belga para ser capitão de um barco a vapor que navega por um rio africano. Sendo comandante da embarcação, Marlow tem como objetivo transportar marfim rio abaixo, e – prioritariamente – resgatar Kurtz, famoso comerciante e comandante de um posto de troca. O romance serviu de inspiração para o clássico filme “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola, no qual Kurtz é retratado como um coronel americano refugiado nas selvas do Vietnã. Apesar de curto, o texto de Conrad é bastante rico, misturando ironia, bom humor e críticas à colonização europeia na África. Outro elemento marcante da obra é o modo como o autor se refere aos africanos, colocando-os numa categoria inferior aos brancos e muitas das vezes referindo-se a eles como se fossem objetos. Tal recurso, no entanto, não indica uma nuance racista de Conrad, mas apenas um recurso literário para fazer uma crítica ao colonialismo europeu. Um livro pequeno, que pode ser lido numa tarde.

Painel WW: “O Brasil será governável a partir de janeiro de 2019?”

Com as eleições dominando o debate, o que mais se vê são candidatos a presidente apresentando o combate à corrupção como sua plataforma de governo. Obviamente, o desvio de dinheiro público – em todas as esferas – é uma questão importante na situação atual. Todavia, zelar pelo bom uso dos recursos públicos é uma obrigação de todo governante e não deve ser encarado como uma qualidade excepcional. Em virtude disto, um tópico crucial para o futuro do Brasil está sendo ofuscado: a má gestão de recursos públicos. No vídeo “O Brasil será governável a partir de janeiro de 2019?”, publicado no canal Painel WW, Francisco Gaetani – cientista político e diretor da escola nacional de administração pública -, José Álvaro Moisés – cientista político – e Milton Seligman – professor e ex-ministro da Justiça – discutem o assunto, de uma maneira bastante elucidativa e de um ponto de vista diferente do que é visto na maioria dos veículos de imprensa. O vídeo é um pouco extenso (51:28), mas, em tempos como estes, vale muito a pena ser assistido.