Dica de Filme: “A Última Tentação de Cristo”

Dirigido por Martin Scorsese e lançado em 1988, “A Última Tentação de Cristo” retrata um Jesus (Willem Defoe) relutante, perturbado por sentimentos como dúvida, medo e luxúria. O filme foi baseado no romance homônimo – escrito por Níkos Kazantzákis e publicado em 1951 – causou bastante furor dentro da comunidade cristã na época de seu lançamento (apesar de um aviso informar que não se trata de uma interpretação bíblica da vida do Galileu). O filme recebeu indicações ao Oscar de Melhor Diretor e ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Barbara Hershey, que interpretou Maria Madalena. É, certamente, um longa metragem que não deve ser visto a partir de uma perspectiva de encenação dos escritos bíblicos, mas, sim, como uma especulação sobre os conflitos internos vividos por uma das personagens mais icônicas e misteriosas da História.

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Dica de Livro: “Homo Deus”, Yuval Noah Harari

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Na minha opinião, uma grande qualidade do historiador Yuval Noah Harari é sua capacidade de tratar de temas complexos de maneira cristalina e de fácil leitura. Similarmente ao que fez em “Sapiens”, seu livro anterior, o israelense aproveita o decorrer do texto para incluir diversas informações de outras áreas do conhecimento, enriquecendo o conteúdo da obra. O livro mostra como o Humanismo se estabeleceu como a grande religião moderna de facto. Primeiramente, porque se aproveitou do fato de que a Revolução Científica acabou minando todos os argumentos das demais crenças quanto à existência das divindades. Segundo, porque – segundo os argumentos de Harari – problemas como guerras, fome, doenças e a própria morte estão perdendo sua relevância com o avanço da ciência. Todavia, o insight mais interessante de “Homo Deus” é a tese de que nós, humanos, somos – na verdade – um complexo conjunto de algoritmos e que a próxima religião a obter o domínio global é o dataísmo. Baseando-se nisso, Harari afirma que os algoritmos que manipulam quantidades absurdas de dados serão as próximas divindades humanas. Excelente leitura, de uma das mentes mais interessantes da atualidade.
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Dica de Álbum: “The Final Cut”, Pink Floyd

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Décimo segundo álbum do Pink Floyd, “The Final Cut” foi lançado em março de 1983. O disco é último com Roger Waters e foi marcado por grande tensão entre os integrantes da banda, além de não contar com o tecladista Richard Wright. Tecnicamente, trata-se de um álbum conceitual escrito inteiramente por Waters e que discorre sobre a Guerra das Malvinas e a II Guerra Mundial. Com letras carregadas de críticas políticas e sociais, o disco é – em termos sonoros – mais melancólico e sombrio que o lendário “The Wall”. Destaco as faixas “Your Possible Pasts”, “The Gunner’s Dream” e “Two Suns in the Sunset”. Indicado para momentos de maior instropecção.

Dica de Filme: “A Chegada”

Lançado em 2016, “A Chegada” mostra a história da linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams) e do matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner), que são encarregados pelo exército americano para fazer contato com uma das dozes naves extraterrestres que apareceram em pontos distintos do planeta Terra. Banks inicia uma árdua jornada para tentar se comunicar com os alienígenas e entender sua complexa linguagem, enquanto é simultaneamente pressionada por questões políticas e militares. Todavia, além de narrar a árdua tarefa da linguista para entender como os visitantes se comunicam, o filme oferece ao espectador a oportunidade de refletir sobre diversos assuntos: o quanto a comunicação e a linguagem são importantes para a humanidade, sobre a importância de saborear as pequenas coisas e o quão frágil nós somos como espécie. Dirigido pelo competente Dennis Villeneuve e com uma exuberante fotografia, o longa é uma ficção-científica de primeira linha, que aposta muito mais no conteúdo e na reflexão do que na ação propriamente dita. Um filmaço que, no fundo, nos diz mais sobre a raça humana do que aliens.

 

Dica de Livro: “Jane Eyre”, Charlotte Brontë

jane-eyrePublicado em 1847, “Jane Eyre” é um romance escrito pela britânica Charlotte Brontë, irmã de Emily Brontë, autora de “O Morro dos Ventos Uivantes”. O livro narra a história da personagem homônima, acompanhando seu amadurecimento e seu amor pelo Senhor Rochester, seu patrão, que carrega um grave segredo. A obra marca o início de romances que apresentam protagonistas com anseios e atitudes incomuns para o seu tempo. Jane é uma personagem muito carismática, fato que prende o leitor à narrativa durante todo o tempo. Um dos mais importantes romances da língua inglesa, caprichosamente bem escrito!

Dica de Álbum: “Sol29”, Nosound

Nosound - Sol29

Nosound” é uma banda italiana de rock progressivo fundada por Giancarlo Erra em 2002. Conheci a mesma em 2013 através do aplicativo BandHook e confesso que desde então se tornou uma das minhas bandas favoritas. Com influências do Pink Floyd e Brian Eno, o Nosound navega entre o rock progressivo e música ambiente, criando texturas sonoras de muito bom gosto. “Sol29“, de 2005, é o álbum de estreia do grupo, que – à época – era composto apenas por Erra. Suas faixas são majoritariamente instrumentais ou com poucas inserções vocais. Destaque para “The Moment She Knew”, “Overloaded”, “Idle End” e a espetacular “Sol29”.

Dica de Filme: “Bohemian Rhapsody”

Lançado em 1º de novembro de 2018, “Bohemian Rhapsody” conta a história do “Queen” desde sua formação até a emblemática apresentação no estádio Wembley, em 1985, para o Live Aid. Obviamente, o foco do longa é Freddie Mercury – uma das mais poderosas vozes da música -, sua complexa personalidade e as dificuldades que ela causava no cotidiano da banda. Todavia, para além da figura excêntrica de Mercury, há cenas que mostram como surgiram algumas das canções clássicas do quarteto britânico, como “Under Pressure”, “We Will Rock You”, “Love of My Life” e a faixa que dá nome ao filme. Com Rami Malek – que faz um ótimo trabalho da série Mr. Robot – entregando uma performance fantástica no papel principal, uma trilha sonora impecável e uma visão interessante dos bastidores de uma das maiores bandas de rock da história, o filme é certamente um dos melhores que vi este ano. Assista enquanto ainda está em cartaz!

Dica de Livro: “Quando Nietzche Chorou”, Irvin D. Yalom

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Lançado em 1992, “Quando Nietzche Chorou” narra um encontro fictício entre duas das maiores mentes do século XIX: Josef Breuer, um dos pais da psicanálise e mentor de Sigmund Freud, e o filósofo Friedrich Nietzsche. Diante do desafio monumental de tratar Nietzche, que se encontra em uma profunda crise existencial e dominado por uma depressão suicida, Breuer tem de enfrentar seus próprios problemas. O psicológo trava uma batalha pessoal contra as fantasias sexuais que tem com Anna, uma jovem paciente. Misturando realidade, ficção, literatura, filosofia e psicanálise, Irvin D. Yalom cria uma história poderosa, que prende o leitor desde as primeiras páginas. Livro muito bem escrito e fascinante, que oferece uma visão interessante sobre um dos pensadores mais brilhantes e instigantes da história.

Dica de Álbum: “Countdown to Extinction”, Megadeth


Lançado em 1992, “Countdown to Extinction” é o meu álbum preferido do Megadeth, com a – na minha opinião – melhor formação da banda. O disco, que foi indicado para o prêmio de “Melhor Desempenho de Metal” no Grammy Awards de 1993, é uma aula de thrash metal de um conjunto que já entregou outros álbuns memoráveis. Além dos clássicos instantâneos como “Symphony of Destruction” and “Sweating Bullets”, destaco a faixa-titulo e “Psychotron”. Pesado como geladeira!

Dica de Filme: “O Jogo da Imitação”

Lançado em 2015, “O Jogo da Imitação” é um excelente drama que mostra a essencial contribuição de Alan Turing (Benedict Cumberbatch) – brilhante matemático e considerado um dos pais da Ciência da Computação – no esforço britânico durante a II Guerra Mundial. Turing lidera a equipe montada para decodificar as mensagens criptografadas geradas pelas máquinas Enigma utilizadas pelos nazistas. Embora não seja historicamente preciso, fato reconhecido pelo próprio diretor, o filme consegue ilustrar o quão importante foi o trabalho de Turing, que adiantou o fim da guerra em – pelo menos, dois anos – e, por consequência, salvou milhões de vidas. Cumberbatch tem uma excelente atuação no papel de um gênio da matemática que, apesar de toda a sua importância na vitória contra os nazistas, foi perseguido por causa de suas orientação sexual.